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Cientistas globais apresentam nesta semana o sexto relatório de síntese do Ipcc

Secretário-geral aponta decisões difíceis como esperança em meio ao mundo em uma encruzilhada; sexta avaliação abrangente de especialistas internacionais será a primeira produzida após o Acordo de Paris sobre as alterações do clima.


Por ONU News



Unsplash/Jason Leung - Encontrado no alto da atmosfera, a camada de ozônio protege a Terra da maioria dos raios ultravioleta nocivos do sol


Especialistas internacionais se reúnem até esta sexta-feira para aprovar o Relatório Síntese do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, Ipcc.


Em sessões que acontecem em Genebra, Suíça, os cientistas de várias áreas adotarão a primeira publicação abrangente em nove anos e a primeira após o Acordo de Paris sobre a mudança climática.


“Ponto sem retorno”


O secretário-geral da ONU disse que o lançamento acontecerá em um momento crucial.

Em vídeo apresentado na abertura, António Guterres alertou que o mundo está em uma encruzilhada e o planeta na mira. Ele falou da proximidade do ponto sem retorno e da superação do limite internacional acordado de 1,5°C de aquecimento global.


Para António Guterres, os fatos não estão em questão, mas as ações de uma humanidade que está “no limite de um ponto crítico”. No entanto, o líder da ONU destacou que não é tarde demais.


Guterres sublinhou que escolhas difíceis, mas essenciais, podem acelerar a eliminação gradual dos combustíveis fósseis e fechar a lacuna de emissões.


Documento político eficaz


Para a ONU, o relatório que será adotado na reunião fornece uma visão geral do estado de desenvolvimento do conhecimento sobre a ciência da mudança climática. A publicação será composta por três documentos especiais, cada um envolvendo um grupo de trabalho.


O presidente do Ipcc, Hoesung Lee, explicou que ao ser aprovado, o Relatório Síntese se tornará um documento político eficaz para moldar a ação climática até o final desta década.


Os grupos de trabalho lidarão com temas específicos: o primeiro com a base da ciência física da mudança climática e o segundo com os impactos, a adaptação e a vulnerabilidade. O último se dedicará à mitigação das mudanças climáticas.


Hoesung Lee disse que a publicação é essencial nas ações para lidar com a mudança climática, destacando que não haja engano porque a falta de ação e os atrasos não são opções.


Nível sem precedentes de gases de efeito estufa


António Guterres lembrou que foi em 2021 que, pela primeira vez, o Ipcc constatou que mudanças nos oceanos, nas geleiras e na superfície terrestre da Terra eram irreversíveis.


O líder da ONU ressaltou que de uma forma “inequívoca” essas alterações foram causadas pela ação humana, principalmente devido à queima de combustíveis fósseis e aos níveis sem precedentes de gases de efeito estufa.


No ano passado, o Ipcc revelou que “quase metade da população global vive na zona de perigo dos impactos climáticos”. O painel acrescentou que a necessidade do momento é aumentar os investimentos na adaptação.


O secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial, OMM, Petteri Taalas destacou que os relatórios do painel também destacam as grandes incertezas nos sumidouros e fontes de carbono da biosfera, das florestas e de terras agrícolas.


Debates na COP28


A agência da ONU ressalta que os níveis de metano na atmosfera em 2021 atingiram um recorde de 1.908 partes por bilhão, ou 262% dos níveis da era pré-industrial

O relatório deverá orientar as discussões para que o mundo esteja alinhado com as metas do Acordo de Paris que devem ocorrer na 28ª Conferência das Partes Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, COP28. O evento terá lugar em novembro deste ano nos Emirados Árabes Unidos.


Para a diretora executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, a contribuição do Ipcc definirá o tom para a ação na segunda metade da década atual.


Inger Andersen apontou a atual etapa de avanço coletivo para alcançar as metas de longo prazo do Acordo de Paris, ao alertar os participantes sobre as consequências do atraso no cumprimento das metas do clima. O Quinto Relatório de Avaliação foi concluído em 2014.



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