Degelo no Ártico libera carbono estocado há milênios e intensifica crise climática
- 9 de abr.
- 1 min de leitura
Fonte: Um Só Planeta

Um estudo liderado por Michael Rawlins, da University of Massachusetts Amherst, revela que o degelo acelerado no Ártico está liberando grandes quantidades de carbono armazenado há milhares de anos, intensificando o aquecimento global. A pesquisa analisou 44 anos de dados em alta resolução no norte do Alaska, onde centenas de rios deságuam no Beaufort Sea. Os resultados mostram aumento no escoamento de água, maior transporte de carbono pelos rios e prolongamento da temporada de degelo, que agora avança até o início do outono.
Os rios árticos exercem influência desproporcional no sistema climático, transportando cerca de 11% da água fluvial do planeta para um oceano que concentra apenas 1% do volume global. Com o aquecimento, a “camada ativa” do solo — que descongela sazonalmente — está se aprofundando, liberando matéria orgânica antiga que é carregada como carbono orgânico dissolvido até o oceano. Estima-se que mais de 275 milhões de toneladas desse carbono sejam convertidas anualmente em dióxido de carbono, reforçando um ciclo de retroalimentação climática.
Devido à escassez de medições diretas na região, os cientistas utilizaram modelos computacionais desenvolvidos ao longo de 25 anos, projetando para as próximas décadas aumento de até 25% no escoamento hídrico e 30% no fluxo subterrâneo, além de maior tendência a secas em áreas ao sul. O noroeste do Alasca apresentou maior liberação de carbono, enquanto áreas montanhosas no leste mostraram menor mobilização. O estudo, apoiado pela National Science Foundation e pela NASA, destaca a necessidade de ampliar o entendimento sobre o transporte de carbono para avaliar com mais precisão os impactos climáticos nos ecossistemas costeiros.





Comentários