Estudo mostra efeitos “sem precedentes” da atividade humana em rios

Pesquisadores coletaram dados dos maiores rios da Terra durante quase 40 anos e descobriram transformações alarmantes na disposição dos sedimentos fluviais


Por Redação Galileu



Estudo mostra efeitos “sem precedentes” da atividade humana em rios do planeta (Foto: Joshua Fuller/ Unsplash)


Quando pensamos na importância dos rios que cortam o globo terrestre, é comum focar apenas na fonte de água e nos animais que ali residem. Entretanto, os sedimentos fluviais, principalmente areia, lodo e argila, constantemente depositados e transportados por essas massas de água têm um papel ecológico extremamente importante.


Primeiramente porque fornecem habitat para organismos a jusante e em estuários. Em segundo lugar, têm o papel de reabastecer nutrientes aos solos agrícolas nas planícies de inundação, além de amortecer o aumento do nível do mar conforme ocorrem as mudanças climáticas, fornecendo areia aos deltas e litorais.


Essas funções essenciais, contudo, estão sob ameaça. Nos últimos 40 anos, os humanos causaram alterações sem precedentes no transporte de sedimentos fluviais, de acordo com um novo estudo de cientistas da Universidade Dartmouth, nos Estados Unidos, publicado na revista Science.


Os pesquisadores usaram imagens de satélite da Nasa e dados de fluxo dos rios para examinar as mudanças na quantidade de sedimentos transportados para os oceanos em 414 dos maiores rios do mundo entre 1984 e 2020.



O rio Maroni na fronteira Suriname-Guiana estava relativamente inalterado em 1993, mas em 2021, o desmatamento causou fluxos lamacentos (Foto: Nasa Landsat/U.S. Geological Survey)


"A quantidade de sedimentos que os rios carregam é geralmente ditada por processos naturais nas bacias hidrográficas, como quanta chuva há ou se há deslizamentos de terra ou vegetação”, diz Evan Dethier, líder da investigação, em comunicado.


“Descobrimos que as atividades humanas estão sobrecarregando esses processos naturais e superando os efeitos das mudanças climáticas."

As descobertas mostram que a construção generalizada de barragens no século 20 nas áreas do norte da Terra reduziu a entrega global de sedimentos transportados pela água dos rios para os oceanos em 49% em relação às condições pré-barragem.

Já nas áreas ao sul do planeta, o transporte de sedimentos aumentou em 36% dos rios devido a grandes mudanças no uso da terra, associadas fortemente ao desmatamento.


Os rios são responsáveis ​​pela criação de várzeas, bancos de areia, estuários e deltas devido aos sedimentos que transportam. Uma vez que uma barragem é instalada, esse suprimento de sedimentos, incluindo seus nutrientes, é frequentemente interrompido.

“Os rios são indicadores bastante sensíveis do que estamos fazendo – eles são como um termômetro para a mudança no uso da terra”, alerta Carl Renshaw, coautor da pesquisa.

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