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A guerra também aquece o planeta: a face esquecida da crise climática

  • há 6 dias
  • 2 min de leitura

G1 Meio Ambiente


Os conflitos armados têm um impacto climático profundo e frequentemente invisibilizado. Guerras emitem milhões de toneladas de gases de efeito estufa por meio de bombardeios, incêndios, deslocamentos populacionais e reconstrução de cidades destruídas. Nos primeiros 14 dias da guerra no Irã, por exemplo, foram emitidos cerca de 5 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, mais do que países inteiros emitem em um ano. Segundo o Conflict and Environment Observatory, se os exércitos do mundo fossem um país, seriam o quarto maior emissor global de gases de efeito estufa, responsáveis por mais de 5% das emissões globais anuais. Apesar disso, a maior parte dessas emissões não aparece nos inventários climáticos oficiais, já que o reporte militar previsto no Acordo de Paris é voluntário e pouco transparente.


Imagem: Pexels
Imagem: Pexels

Os impactos climáticos das guerras vão muito além do consumo energético das bases militares. Estudos mostram que conflitos recentes geraram emissões gigantescas: a guerra na Ucrânia lançou mais de 311 milhões de toneladas de CO₂ em quatro anos, enquanto a guerra em Gaza emitiu 33,2 milhões de toneladas em apenas 15 meses. Grande parte dessas emissões vem de incêndios florestais, reconstrução de infraestrutura, logística militar e deslocamento de refugiados. Ao mesmo tempo, o sistema econômico tradicional trata essas atividades destrutivas como crescimento econômico, já que gastos militares, reconstrução e despesas hospitalares aumentam o PIB, mesmo produzindo perdas ambientais e sociais irreparáveis.


O texto também critica a lógica econômica e geopolítica que prioriza o militarismo em detrimento da cooperação climática. Em 2025, os gastos militares globais atingiram US$ 2,9 trilhões, valor que poderia financiar grande parte da adaptação climática necessária nos países mais vulneráveis. Além disso, os efeitos das guerras ultrapassam fronteiras, influenciando preços da energia, pressionando o desmatamento e agravando crises ambientais em outras regiões do planeta, como a Amazônia e o Cerrado. Diante disso, o artigo defende a criação de novas métricas econômicas capazes de contabilizar os impactos ambientais, sociais e climáticos dos conflitos, tornando visível uma “dívida ecológica” que hoje permanece fora das estatísticas oficiais.


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O projeto Tempo de Aprender em Clima de Ensinar foi criado pela equipe do Laboratório de Meteorologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (LAMET/UENF), com o intuito de discutir com alunos e professores de escolas públicas as diferenças entre os conceitos de “tempo” e “clima” através de avaliações e estudos das características da atmosfera.

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