Dieta desenvolvida no Brasil reduz metano do gado e pauta debate científico internacional
- 9 de abr.
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Fonte: Um Só Planeta

Uma dieta desenvolvida pelo pecuarista Márcio Jorge, em Rondonópolis, no Mato Grosso, será apresentada na EAAP-ASAS Conference on Livestock Farming and the Environment: Emissions and Solutions 2026 como uma alternativa para reduzir as emissões de metano na pecuária. Testes conduzidos pelo Instituto de Zootecnia de São Paulo apontam que bovinos confinados com a nova dieta emitiram cerca de 60 gramas de metano por dia — redução de até 77% em comparação aos 261 gramas registrados em sistemas convencionais. A diminuição é relevante porque o metano é mais de 28 vezes mais potente que o CO₂ na retenção de calor e responde por cerca de 30% do aquecimento global desde a Revolução Industrial.
A solução surgiu inicialmente para simplificar o manejo e reduzir custos, com uma dieta sem volumosos, baseada apenas em ração seca e sem uso de antibióticos, o que também reduz a necessidade de maquinário e mão de obra. Segundo o pesquisador Geraldo Balieiro Neto, a mudança atua diretamente no rúmen, reduzindo a produção de hidrogênio — elemento central na formação do metano — ao reorganizar a fermentação digestiva. Estudos indicam que o sistema mantém estabilidade ruminal por mais de 305 dias, sem prejuízo ao desempenho dos animais e com melhorias em características como maciez e coloração da carne.
Apesar dos resultados promissores, a expansão da tecnologia ainda enfrenta desafios de difusão e validação em larga escala. Especialistas destacam a importância de mecanismos de certificação e métricas confiáveis para integrar a solução a políticas públicas e instrumentos de mercado. Em um país que ocupa a quinta posição entre os maiores emissores de metano do mundo, com a pecuária como principal fonte, a iniciativa é vista como um exemplo de inovação com potencial para contribuir para uma produção agropecuária de menor impacto climático.





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